Escrever sobre qualquer conjuntura é uma arte. Uma vez fui coordenador de um grupo de quatro especialistas em diversas áreas. Fizeram uma análise da conjuntura com tanta profundidade que quando o texto ficou pronto para divulgação a conjuntura era outra…
O Brasil, como Antônio Carlos Jobim (ele só gostava que chamassem de Tom os amigos mais íntimos) dizia, ‘o Brasil não é para amadores’. Nos tempos bolcheviques, os partidos tinham ideólogos do partido. Não mandavam nada. Até o nazismo tinha um. Também não mandava nada.
Mas o Brasil tem economistas do partido. Mandam muito. Mas faz sentido. Os caminhos e descaminhos da economia brasileira são tais que, por exemplo, numa eleição o economista é uma garantia, um fiador, de que a política econômica do candidato, se eleito, não será esquizofrênica.
O momento político quanto a eleições, hoje (01/01/2018), é absolutamente incerto. As coisas só irão se definir com um pouco mais de clareza por volta de março ou abril. Os candidatos que apareceram até agora são aqueles que precisam marcar uma posição. Outros, raposas bem felpudas e experimentadas, esperam o momento exato de aparecer.
O que temos é o que tem sido noticiado na midia. Vamos lá:
Luiz Inácio-Lula:
Sua incerteza é de ordem jurídica. Se o resultado em Porto Alegre em janeiro for por unanimidade, não cabe nem embargo infringente. Cai na Ficha Limpa. Mas pré-candidato, não-candidato, candidato ou qualquer outra possibilidade exige-se dele que faça muito barulho, mantendo o PT unido em direção às eleições. Uma possibilidade, mortal para o PT, é uma debandada quando da janela de mudança partidária que antecederá a eleição.
Bolsonaro:
A incerteza aqui é quanto à sua fragilidade partidária, sua falta de estrutura para uma campanha. Se apresenta, segindo o jornalista Merval Pereira, como um candidato que representaria o brasileiro religioso, que quer criar seus filhos com segurança, simples, honesto, sem os exageros do politicamente correto. Sua força pode residir nisso, mas sem um Lula para que ele possa se antepor, uma candidatura que seja de centro-direita, menos atingida pela Lava-Jato, com força partidária (capilaridade, recursos financeiros e tempo de televisão) pode ser uma barreira formidável, talvez intransponível. Bolsonaro tem, ou quer ter, para chamar de seu, um economista competente e respeitado: Paulo Guedes.
Alckimin:
É mais um político paulista do que de expressão nacional. Isso é um problema, por maior que o colégio eleitoral em São Paulo seja o maior do Brasil. Sem forte apoio do PSDB a coisa não vai. Mas que PSDB? Unido ou com os cabeça-pretas escapando para outros partidos na janela eleitoral? Tem pelo menos um grande economista como fiador: Edmar Bacha. E Armínio Fraga, como fica?
Rodrigo Maia:
Diz que prefere ficar como Presidente do Congresso…
Henrique Meirelles:
Sem grande apelo popular. Sua candidatura pode se fortalecer se vier, por exemplo, de uma coligação PMDB-DEM. Sem partido a coisa não vai. Além disso, uma coisa foi a eleição de Fernando Henrique após o enorme sucesso do Plano Real. Outra é ser o condutor de uma leve recuperação da Economia. Mas a coisa pode funcionar se Alckimin não decolar e Meirelles se tornar um forte candidato de centro-direita.
Os demais, Marina, Ciro e outros estão num estágio muito inicial para que se possa fazer uma avaliação. O fato é que a decisão da 4. Turma, em janeiro, a votação da Previdência, em fevereiro, e a desincompatibilização, em abril, ou mesmo a chegada de junho-julho, é que permitirão uma estimativa, ou projeção, ou avaliação, melhor, das possibilidades. Mas, pelo amor de Deus, não das probabilidades.
Além disso, só existem duas categorias de profissionais capazes de advinhar o futuro: os bruxos e os economistas. Não pertenço a nenhuma das duas…
